27 de mai. de 2011

valeu, tio



Esses dias dei uma moeda de um real para um desses moleques que pedem dinheiro no sinal. O moleque não esperava que a moeda fosse de valor tão grande acho, e largou um sorriso animal. Eu, sempre que tenho moedas comigo, as repasso para esses moleques. Nesse dia ainda estava comendo um lanche, e tinha uma bolacha fechada no banco de trás. Devia ter dado tudo pro menino, mas na hora não pensei, infelizmente.

Logo que pegou a moeda, ele voltou pro banco, numa importante avenida da parte mais pobre da zona leste de São Paulo. Nem pediu mais moedas pra ninguém, e eu não sei porque. Desconfio que seja porque um real deve ser o que ele consegue cada vez que o sinal fecha, no máximo. O moleque nem tava tao mal cuidado; era um dia um pouco frio e ele tinha uma blusa aparentemente quente e estava de tenis.

Quando o farol abriu, passei com o carro na frente dele, que me esperava passar, acho. Ele soltou um 'valeu, tio' que me deu uma enorme felicidade por dentro. Foi nesse momento que lembrei da bolacha no banco de trás, e de quanto um real vale pouco pra mim e muito pra ele.

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